domingo, 19 de julho de 2009

Exu contra ataca

Cada vez que peixes aparecem boiando no bicentenário Dique do Tororó, em Salvador, uma lenda urbana volta à tona: a de que o responsável pela mortandade de tilápias e carpas, quase todo verão, não é a poluição, mas as oito belas esculturas de entidades africanas que enfeitam o local, considerado pelos seguidores do candomblé uma das moradas de Oxum, orixá da água doce, fontes e lagos. Concebidas em 2000 pelo escultor Tatti Moreno, as oito figuras de orixás são emblemáticas da disputa entre os neopentecostais e os seguidores da religião afro-baiana na capital, que reagem com uma campanha nacional contra a intolerância religiosa.

A ideia não é partir para o confronto, embora nos últimos anos tenham sido frequentes as agressões de evangélicos, sobretudo fiéis da Igreja Universal e da Evangelho Quadrangular, aos adeptos das religiões de matrizes africanas, nomenclatura adotada pelas gentes da umbanda e do candomblé. A principal meta é mesmo corrigir as estatísticas, a partir do Censo 2010 do IBGE. Com o slogan “Quem é de axé diz que é”, pretende-se conscientizar as pessoas da importância de assumirem o credo em religião afro-brasileira. No último Censo, em 2000, só 0,5% dos soteropolitanos afirmaram ser praticantes da umbanda e do candomblé, ante 18,1% que se declararam evangélicos.

“Essa postura, que se justificava quando o candomblé era perseguido pela polícia, não é mais necessária. Estatisticamente, dá a impressão de que o candomblé está desaparecendo, o que é um engano”, afirma o vereador Gilmar Santiago. Uma das evidências disso seria o aumento do número de terreiros. Nas duas últimas décadas, de acordo com o mapeamento feito pela prefeitura, apareceram 677 novos na capital baiana.

Em compensação, Salvador viu surgir em 2001 um dos maiores templos da Igreja Universal no País, com capacidade para 9 mil fiéis. As baianas do acarajé, figuras-símbolo do candomblé, hoje encontram rivais nas vendedoras de “bolinho de Jesus”, que se recusam a associar o quitute a uma oferenda aos orixás.

Historicamente, o preconceito em relação aos seguidores do candomblé não pode ser atribuído aos protestantes, mas aos primeiros colonizadores europeus, ainda em território africano, segundo estudiosos da religião. Com o tempo, o estigma de que a crença se baseia em feitiços, despachos e magia negra espalhou-se. Mas é inegável que a convivência entre evangélicos, principalmente neopentecostais, e seguidores do candomblé se deteriora nos últimos anos, a partir do lançamento, pelo bispo Edir Macedo, do livro Orixás, Caboclos e Guias: Deuses ou Demônios?, que fortaleceu o preconceito e renovou a difusão de mitos sobre as religiões afro-brasileiras.

Na obra, com mais de 3 milhões de exemplares vendidos, retirada das livrarias pela Justiça, o fundador da Igreja Universal acusa os orixás, assim como os espíritos do kardecismo, de serem demônios disfarçados. (Procurada, a direção da Igreja Universal não respondeu às perguntas da reportagem.) Em geral, os bispos neopentecostais se aproveitam da associação clássica entre a figura de Exu e Satanás. Por conta disso, outra iniciativa da campanha movida pelas entidades do movimento negro vai ser a distribuição de uma cartilha como introdução às religiões de matrizes africanas a praticantes de outros credos. Exu será o principal orixá a ser “explicado”.

Em Salvador, na noite da terça-feira 12 de maio, a reportagem de CartaCapital está à mesa com cerca de vinte pais e mães de santo que participam do Fórum Permanente de Religiões de Matrizes Africanas, no terreiro de Oxumarê, do século XIX. Pergunto se esse preconceito não é gerado também pelo fato de o candomblé, em virtude das perseguições policiais que tiveram seu auge na década de 1920, ser uma religião fechada, quase secreta. E a mesa, já bastante desconfiada com a presença da repórter, entra em polvorosa. “Fechada é a Maçonaria”, diz um. “Muito aberta não é, não”, rebate outro. “O terreiro fica aberto o dia todo, não é que nem igreja. Só não entra quem não quer”, defende Marcos Rezende, do CEN, que é também ogã (espécie de administrador) do terreiro anfitrião. “O que não fazemos é proselitismo.”

Em Salvador, são frequentes as notícias de invasões de terreiros por evangélicos com bíblias em punho e agressões verbais aos que andam paramentados com roupa branca, torços (turbantes) e colares de contas coloridas. As queixas são encaminhadas ao promotor Almiro Sena, coordenador do Grupo Especial de Combate à Discriminação do Ministério Público Estadual.

“As pessoas identificadas com o candomblé por suas vestimentas ainda hoje têm dificuldade de acesso a edifícios públicos. São obrigadas, por exemplo, a tirar os torços da cabeça”, relata o promotor Sena, que vê, no entanto, uma diminuição da intolerância nos últimos anos. Na mesa do terreiro de Oxumarê, o Táta (pai de santo) Ricardo Tavares, do terreiro de Lembá, em Camaçari, discorda.

Branco, 1,84 metro de altura, Tavares chama a atenção com suas vestes africanas. Ele conta que seu terreiro já foi invadido por evangélicos, que lhe cuspiram na cara durante o fórum da cidade. “Não sou omisso, dou queixa”, diz o pai de santo, que promove em Camaçari uma campanha de combate à intolerância religiosa e ao racismo, sob o lema “Sou do candomblé. Respeitar é preciso. Gostar, se quiser”.

Lindinalva de Paula, do terreiro Ilê Axé Omin Ewá, no bairro de Praia Grande, conta que os ataques feitos em programas de televisão e por bispos nos púlpitos de fato diminuíram, mas as ações isoladas permanecem. “Numa sexta-feira em Salvador, em um ônibus lotado, há evangélicos que preferem ficar de pé a se sentar ao lado de uma pessoa de branco, porque sabe que nos vestimos assim às sextas”, conta.

O prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro, é evangélico, da religião batista. E há quem o acuse de, por isso, favorecer os neopentecostais no projeto de lei, que deve ser votado pela Câmara Municipal na próxima semana, regularizando a situação fundiária dos terreiros. A maioria dos locais onde se praticam os rituais do candomblé até hoje não possui título de propriedade, porque, ao contrário da Igreja Católica, as religiões afro-brasileiras não herdaram terras e ocuparam os espaços possíveis: encostas, vias e matas, necessárias à liturgia. Pais e mães de santo também receberam terras “de boca”, sem documentos.

A possibilidade de regularização deixou os terreiros em festa, mas seus líderes reclamam que, no projeto, existem mais exigências para as religiões de matrizes africanas do que para as outras. Originalmente voltado só para os terreiros, o projeto da prefeitura acabou ampliado para todos os templos religiosos de Salvador.

“Não é verdade, as exigências são as mesmas. Tampouco é verdade que o prefeito favoreça os evangélicos, vejo-o muito respeitoso em relação ao candomblé”, diz o secretário da Reparação de Salvador, Ailton Ferreira, que também pertence ao terreiro de Oxumarê. Ele explica que a lei surgiu como promessa do prefeito João Henrique para compensar a demolição do terreiro Oyá Unipó Neto, na avenida Jorge Amado, em fevereiro do ano passado, por “um equívoco” da prefeitura. E que as críticas acontecem porque, como a regularização dos terreiros era uma reivindicação do candomblé e foi estendida aos outros templos, causou um “ciúme natural”.

Em setembro, os tambores tocarão nos terreiros para o primeiro passo da campanha pelo respeito e pelo reconhecimento do candomblé como religião. Acontecerá em Salvador o I Seminário Nacional sobre Intolerância Religiosa, promovido pelo CEN com apoio do Ministério da Cultura. Todos sabem, porém, que não será uma tarefa fácil mudar 500 anos de preconceito em uma semana. Nem modificar o fato de que, até aqui, o discurso neopentecostal está vencendo a parada.

As religiões neopentecostais roubaram fiéis ao candomblé. “Não oferecemos algumas falas que são ação desse mundo, a bênção relacionada à melhoria de vida”, argumenta Marcos Rezende. “Sem dúvida, as pessoas das classes C, D e E são atraídas por essa teologia da prosperidade. Além disso, o neopentecostalismo utiliza a mídia para atrair novos adeptos, espaço que o candomblé não possui”, avalia o antropólogo Sérgio Ferretti.

Em terra de todos os santos, um político baiano, seguidor do candomblé, pede sigilo para apresentar críticas a seu povo. “Tem radicalismo de ambos os lados”, diz. “Em vez de desconfiar tanto dos evangélicos, devíamos eleger gente do candomblé. Eles têm estratégias, nós também precisamos ter, transcender para o plano político”, propõe. Difícil vai ser trocar os confortáveis abadás de algodão pelo terno e gravata.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Lançado na II Conapir o Forum Nacional da Religião de Matriz Africana


Em uma reunião histórica, ocorrida no último dia da Conferência, no momento em que eram votadas as propostas apresentadas nos grupos de trabalho, a grande maioria dos religiosos de matriz africana participantes da II Conapir, reuniram-se e decidiram pela criação do Forum Nacional da Religião de Matriz Africana.

A reunião, coordenada por Mãe Beata de Iemonjá, do RJ, (que, por sinal, comemorou seus 56 anos de processo iniciático nesta conferência) e por Mãe Silvia de Oxalá de São Paulo, que se posicionaram favoráveis ao Forum, seguiu com alguns incidentes mas, ao final, houve acordo político de que a questão não deveria ser levada para o Plenário da Conferência e, uma vez que aqueles que eram contrários recuaram na posição, a formalização da proposta praticamente se deu por consenso.

No geral o que foi proposto é que saísse dali, como efetivamente aconteceu, o indicativo da criação do Forum Nacional da Religião de Matriz Africana e que, num momento posterior, as maiores autoridades dos vários segmentos que compõem a religiosidade de matriz africana em nosso país, serão convidadas a decidir como este Fórum será estruturado.

Que se registre que esta não foi uma vitória pessoal, muito menos institucional, mas uma clara demonstração de que o povo-de-santo, quando age unido consegue o que quer, pois esta foi uma vitória clara e retumbante do povo-de-santo que se ressente de um espaço representativo próprio.

Axé, axé e axé!

Marcio Alexandre M. Gualberto
Coordenador Nacional de Política Institucional do
Coletivo de Entidades Negras - CEN - http://www.cenbrasil.org.br/
Editor dos sites Palavra Sinistra e Atentos à Mídia
Rede Social Religiosidade Afro-Brasileira - http://religiaoafro.ning.com/
Colunista de Afropress - Agência de Informação Multiétnica

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Candomblecistas exigem respeito na II CONAPIR

“Vamos fazer um candomblé no meio do Centro de Convenções!” Foi assim que um religioso de matriz africana incentivou o canto e a dança ao som do timbau na área de convivência da II Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (II CONAPIR), no fim da tarde desta sexta-feira (26/06). O encontro reuniu cerca de 50 religiosos e chamou a atenção de muitas pessoas que passavam pelo local, que acabaram improvisando passos e entoando algumas músicas tradicionais.

A manifestação tinha dois propósitos: comemorar o aniversário de 56 anos de santo da Mãe Beata de Iemanjá, a mais antiga representante da religião no evento, e também alertar para a perseguição ainda sofrida pelos seguidores do candomblé. “Temos muito respeito pelos mais antigos e é uma alegria poder mostrar nossa cultura em um evento como esse”, disse Rômulo Miranda, representante do Paraná.

Entre as aqueles que pediam saúde à yalorixá e respeito da sociedade também estava Bira Diovolu, de São Gonçalo (RJ). Ele acredita que os 200 representantes do candomblé presentes na II CONAPIR devem insistir na defesa da consciência negra e na existência de religiões diversas. “Para nossa crença religiosa esse momento é um marco, mostra que o país está se desenvolvendo em relação à tolerância religiosa. Hoje temos liberdade de expressar melhor o que pensamos em relação à perseguição e ao racismo, e assim, combatê-lo”, concluiu.
Fonte: CEN

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Ministro Juca Ferreira reafirma o apoio do MinC a representações das religiões afro-brasileiras



O ministro da Cultura, Juca Ferreira, reuniu-se na manhã desta segunda-feira, 8 de junho, com representantes de religiões de matriz africana. O encontro aconteceu em Brasília, na sede da Fundação Cultural Palmares, e contou com a participação do presidente da FCP/MinC, Zulu Araújo.

Os grupos vieram pedir apoio do Ministério da Cultura para ações e projetos como o Fórum de Matrizes Religiosas Africanas, que deve acontecer em setembro, e a Caminhada do Povo de Axé. O objetivo dessas iniciativas é contribuir para uma maior visiblidade das manifestações e costumes herdados dos povos africanos, uma vez que a diversidade cultural do Brasil é marcada por esse legado.


Ministro Juca Ferreira
Ressaltando a importância dos cultos afro-brasileiros para a cultura do país, o ministro Juca Ferreira ofereceu o apoio necessário às organizações para o levantamento dos terreiros existentes. Ficou agendado, para o dia 25 deste mês, um novo encontro para o qual ele enfatizou que “tem que mobilizar, chamar também a Bahia, o Maranhão, todo mundo”.

Segundo a Mãe de Santo Ìyálorìsa Márcia d’Òsun, do Centro Espírita Ilé Ìyá Omidàyé Àse Obalayò, apenas em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, existem cerca de três mil terreiros cadastrados. Porém, ela lembra que não há levantamento quantitativo desses centros e de suas atividades, iniciativa fundamental para mapear problemas e propor soluções.

Ainda estavam representados no encontro, dentre outros, o Núcleo de Religiões Afro (NAFRO), projeto de iniciativa dos policiais militares da Bahia, e a Coordenação Amazônica da Religião de Matriz Africana e Ameríndia (CARMAA). Na oportunidade, Zulu Araújo presenteou os visitantes com uma publicação sobre o mapeamento dos Terreiros de Candomblé da cidade de Salvador.
Fonte: Minc

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Coletivo de Entidades Negras - CEN

Lutar contra o desrespeito e a intolerância religiosa é tarefa de toda a sociedade brasileira

O Coletivo de Entidades Negras (CEN), é hoje uma das maiores organizações do Movimento Negro brasileiro, atuando em temas que vão da juventude às questões de gênero, é a defesa das religiões de matrizes africanas a marca mais visível de sua atuação institucional.

Criado em Salvador, cinco anos atrás, o Coletivo de Entidades Negras hoje encontra-se em 17 estados da Federação. Com uma presença marcante no Norte e Nordeste do país, o marco geográfico do CEN já o diferencia da maioria das organizações nacionais negras que se concentram no eixo Rio, Sâo Paulo e Minas.

O CEN é formado por pequenas organizações, por redes, por casas religiosas ligadas à umbanda e ao candomblé, por associações de moradores, clubes de mães, blocos culturais, afoxés... enfim, um mosaico que forma um imenso coletivo responsável por agregar em torno de 300 organizações no país inteiro.

Desde seu nascimento um tema sempre foi muito caro ao CEN: a defesa das religiões de matrizes africanas e a luta contra o desrespeito e a intolerância religiosa. "Começamos realizando a Caminhada do Povo de Santo", diz Marcos Rezende, coordenador geral da instituição e, ele mesmo, um religioso do candomblé. "Neste ano realizaremos a V Caminhada e, no próximo ano, se os Orixás nos permitirem, faremos uma grande caminhada em Brasilia ou em Salvador. Mas é nosso interesse pautar uma reunião com a nova ou novo Presidente da República em 2010, para dizer que as religiões de matrizes africanas exigem respeito e políticas públicas", afirma Marcos.

No ano passado o CEN foi responsável por uma das maiores mobilizações já feitas em torno de uma casa-de-santo, quando a prefeitura demoliu uma casa de candomblé e o CEN assumiu a frente de sua defesa. O ato culminou com uma greve de fome de seu coordenador geral e dessa mobilização surgiu um vídeo chamado "Até Oxalá Vai à Guerra", que já foi premiado em vários festivais no Brasil e no exterior.

Em 2009, ocorrerá a Conferência Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, promovida pela Seppir, ligada à Presidência da República. Esta Conferência definirá o Plano Nacional de Igualdade Racial e, para a coordenação do CEN é um momento vital para discutir questões fundamentais. A primeira delas diz respeito à defesa da questão da religiosidade, para isso o CEN apresentará um conjunto de propostas:

1) Que seja constituído em Brasilia, a partir desta Consulta, o Fórum Nacional da Religiosidade Afro-Brasileira, composto pelos mais velhos, pelas mais velhas, por pessoas representativas da religiosidade em todo o país;

2) Que numa escala abaixo, subordinado a este Forum Nacional da Religiosidade Afro-Brasileira, se constitua um Comitê Executivo, formado pelas entidades nacionais que lidam com religiosidade afro-brasileira e vêem contribuindo para que, no cenário nacional, as ações em defesa e promoção da religiosidade se dêem em vários campos.

3) Caberá ao Forum Nacional da Religiosidade Afro-Brasileira coordenar o Comitê Executivo e supervisionar suas ações, dando a palavra final sobre todas as propostas que este Comitê apresentar;

4) Caberá ao Forum Nacional da Religiosidade Afro-Brasileira coordenar a montagem de uma ampla agenda de discussão que se dará entre este for um e o próximo/proxima presidente da República, visando construir uma agenda que envolva todos os ministérios e uma agenda transversal dentro da máquina pública em âmbito federal;

5) Caberá ao Comitê Executivo organizar a I Caminhada Nacional do Povo-de-Santo Pela Vida e Pela Liberdade Religiosa, em Brasilia, em novembro de 2010 e coordenar a Campanha Nacional "Quem é de Axé diz que é!", visando influir positivamente no Censo de 2010, para que o povo-de-santo assuma publicamente sua religiosidade.

6) Caberá a SEPPIR garantir as condições necessárias para a mobilização deste Comitê Executivo para que o mesmo se reúna ao menos uma vez por mês (o que não significa muito, uma vez que este comitê será formado de aproximadamente 10 a 12 entidades).


Além dos muros das relações étnico-raciais
O fato de ser uma organização do Movimento Negro não torna o CEN uma instituição carrancuda ou radical como muitas que se conhece. Há brancos filiados ao CEN, afinal, o componente religioso dilui a questão da cor da pele e um sacerdote ou praticante de uma religião de matriz africana, por mais claro que seja, sempre será visto como alguém que reverencia a ancestralidade, a cultura e a religiosidade africana.

O CEN quer ir além das fronteiras do Movimento Negro, diz seu Coordenador Nacional de Política Institucional, Marcio Alexandre M. Gualberto. Isso significa dialogar com setores com os quais tradicionalmente as grandes organizações nacionais do Movimento Negro têm dificuldades de dialogar.

Dessa forma o CEN, de maneira pioneira, criou uma diretoria nacional para os temas LGBT, atua fortemente na área dos direitos humanos, da comunicação, da temática da violência, de gênero - tanto na perspectiva da mulher, quanto sob o viés do masculino.

O CEN articula-se em âmbito nacional dialogando com outras redes mundo afora, firmando relações políticas com grupos em Portugal, Itália, Alemanha, Estados Unidos e Mercosul. Enfim, o CEN é uma novidade interessante no campo do movimento social brasileiro e, principalmente no campo do Movimento Negro.



Marcio Alexandre M. Gualberto
Coordenador Nacional de Política Institucional do
Coletivo de Entidades Negras - CEN - http://www.cenbrasil.org.br/
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Rede Social Religiosidade Afro-Brasileira - http://religiaoafro.ning.com/
Colunista de Afropress - Agência de Informação Multiétnica

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Carta de Salvador: Ações futuras para o Povo-de-Santo

Nós sacerdotisas, sacerdotes, vivenciados e simpatizantes da tradição de matriz africana, reunidos nesta cidade entre os dias 20, 21, 22 e 23 de novembro, para participar da IV Caminhada pela Vida e Liberdade Religiosa e do Seminário Direitos Humanos e Liberdade Religiosa, sobre as bençãos de Olorum, Nzambi, Mawu lisa, Deus vimos de público afirmar que:


- Devido à importância político-social que hoje representa a Caminhada pela Vida e Liberdade Religiosa e sua confluência na proposição organizativa das comunidades tradicionais de norte a sul, leste a oeste do país, decidimos por maioria torná-la oficialmente a “Caminhada Nacional pela Vida e Liberdade Religiosa, podendo a mesma abrigar todos os segmentos da tradição de matriz africana no território nacional, passando sua organização para o coletivo de entidades signatárias desta carta;

- Devido à importância político-social do recenseamento a ser realizado em território nacional pelo IBGE em 2010 e ao fato de nunca ter sido dada a devida importância ao segmento afro-brasileiro, buscando de fato o estabelecimento do perfil qualitativo e quantitativo da nossa população, definimos pela realização de uma campanha de ação afirmativa nacional protagonizada pelas entidades negras representativas da tradição de matriz africana em parceria com as demais entidades do movimento social negro, elaborada e criada a partir da realidade vivenciada nas comunidades de tradição. Para esta campanha buscar-se-ão as necessárias parcerias com os órgãos governamentais em todas as instâncias.

- Que as organizações signatárias desta carta aberta, têm em comum a luta contra toda e qualquer forma de discriminação, de intolerância religiosa e pressuposto do reconhecimento da humanidade do outro e de seus direitos civis e sociais; estando as mesmas, unidas pelo mesmo objetivo em todo território nacional, exigindo do estado o cumprimento do seu papel, em relação aos seus direitos.

• Coletivo de Entidades Negras – CEN
• Instituto de Tradições da Cultura Afro-Brasileira - INTECAB
• Movimento Nação Bantu - MONABANTU
• Federação Nacional de Culto Afro-brasileiro - FENACAB
• Associação de Preservação da Cultura Afro e Ameríndia - AFA
• Centro de Tradições Religiosas Afro- Brasileira - CETRAB
• Centro de Desenvolvimento das Religiões Afro-Brasileira - CEDRAB
• Rede Ecumênica do Nordeste
• Conselho Nacional de Juventude/CONJUVE
• Rede Religiões Afro–Brasileiras e Saúde
• Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-brasileira - CENARAB
• Centro de Integração da Cultura Afro-Brasileira - CIAFRO
Fonte: CEN Brasil