sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Ministro visita Templos Afro Brasileiros







O Babalorixá do Oxumaré, Silvanilton da Mata, disse que a visita do Ministro representa um marco histórico. " O governo está aqui para conhecer a nossa realidade, o que é muito positivo."

Jornal A Tarde

22/10/2009

Praça Castro Alves será palco da celebração



















publicado no Jornal A Tarde
22/10/2009

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Oxóssi: Òké Aro!!! Arolé!


DIA: Quinta-feira
COR: Azul-Turquesa
SÍMBOLOS: Ofá (arco), Damatá (flecha), Erukeré
ELEMENTO: Terra (florestas e campos cultiváveis)
DOMÍNIOS: Caça, Agricultura, Alimentação e Fartura
SAUDAÇÃO: Òké Aro!!! Arolé!


Oxóssi (Òsóòsi) é o deus caçador, senhor da floresta e de todos os seres que nela habitam, orixá da fartura e da riqueza. Actualmente, o culto a Oxóssi está praticamente esquecido em África, mas é bastante difundido no Brasil, em cuba e em outras partes da América onde a cultura iorubá prevaleceu. Isso deve-se ao facto de a cidade de Kêtu, da qual era rei, ter sido destruída quase por completo em meados do século XVIII, e os seus habitantes, muitos consagrados a Oxossi, terem sido vendidos como escravos no Brasil e nas Antilhas. Esse facto possibilitou o renascimento de Kêtu, não como estado, mas como importante nação religiosa do Candomblé.
Oxóssi é o rei de Kêtu, segundo dizem, a origem da dinastia. A Oxóssi são conferidos os títulos de Alakétu, Rei, Senhor de Kêtu, e Oníìlé, o dono da Terra, pois em África cabia ao caçador descobrir o local ideal para instalar uma aldeia, tornando-se assim o primeiro ocupante do lugar, com autoridade sobre os futuros habitantes. É chamado de Olúaiyé ou Oni Aráaiyé, senhor da humanidade, que garante a fartura para os seus descendentes.
Na história da humanidade, Oxóssi cumpre um papel civilizador importante, pois na condição de caçador representa as formas mais arcaicas de sobrevivência humana, a própria busca incessante do homem por mecanismos que lhe possibilitem se sobressair no espaço da natureza e impor a sua marca no mundo desconhecido.
A colecta e a caça são formas primitivas de busca de alimento, são os domínios de Oxóssi, orixá que representa aquilo que há de mais antigo na existência humana: a luta pela sobrevivência. Oxóssi é o orixá da fartura e da alimentação, aquele que aprende a dominar os perigos da mata e vai em busca da caça para alimentar a tribo. Mais do que isso, Oxóssi representa o domínio da cultura (entendendo a flecha como utensílio cultural, visto que adquire significados sociais, mágicos, religiosos) sobre a natureza.
Astúcia, inteligência e cautela são os atributos de Oxóssi, pois, como revela a sua história, esse caçador possui uma única flecha, por tanto, não pode errar a presa, e jamais erra. Oxóssi é o melhor naquilo que faz, está permanentemente em busca da perfeição.
Em África, os caçadores que geralmente são os únicos na aldeia que possuem as armas, têm a função de salvar a tribo, são chamados de Oxô, que significa guardião. Oxóssi também foi um Òsó, mas foi um guardião especial, pois salvou seu povo do terrível pássaro das Iyá-Mi.
Outras histórias relacionadas com Oxóssi apontam-no como irmão de Ogum. Juntos, eles dominaram a floresta e levaram o homem à evolução. Além de irmão, Oxóssi é grande amigo de Ogum – dizem até que seria seu filho, e onde está Ogum deve estar Oxóssi, as suas forças completam-se e, unidas, são ainda mais imbatíveis.
Oxóssi mantém estreita ligação com Ossaim (Òsanyìn), com quem aprendeu o segredo das folhas e os mistérios da floresta, tornou-se um grande feiticeiro e senhor de todas as folhas, mas teve que se sujeitar aos encantamentos de Ossaim.
A história mostra Oxóssi como filho de Iemanjá, mas a sua verdadeira mãe, segundo o mais antigos, é Apaoká a jaqueira, que vem a ser uma das Iyá-Mi, por isso a intimidade de Oxóssi com essa árvore.
A rebeldia de Oxóssi é algo latente na sua história. Foi desobedecendo às interdições que Oxóssi se tornou orixá.
Tal como Xangô, Oxóssi é um orixá avesso à morte, porque é expressão da vida. A Oxóssi não importa o quanto se viva, desde que se viva intensamente. O frio de Ikú (a morte) não passa perto de Oxóssi, pois ele não acredita na morte.

Características dos filhos de Oxóssi
Os filhos de Oxóssi são pessoas de aparência calma, que podem manter a mesma expressão quando alegres ou aborrecidas, do tipo que não exterioriza as suas emoções, mas não são, de forma alguma, pessoas insensíveis, só preferem guardar os sentimentos para si.
São pessoas que podem parecer arrogantes e prepotentes, e às vezes são. Na realidade, os filhos de Oxóssi são desconfiados, cautelosos, inteligentes e atentos, seleccionam muito bem as amizades, pois possuem grande dificuldade em confiar nas pessoas. Apesar de não confiarem, são pessoas altamente confiáveis, das quais não se teme deslealdade; são incapazes de trair até um inimigo. Magoam-se com pequenas coisas e quando terminam uma amizade é para sempre.
São do tipo que ouve conselhos com atenção, respeita a opinião de todos, mas sempre faz o que quer. Com estratégia, acabam por fazer prevalecer a sua opinião e agradando a todos.
Altos e magros, os filhos de Oxóssi possuem facilidade para se mover, mesmo entre obstáculos. O seu andar possui leveza e elegância. A sua presença é sempre notada, mesmo que não façam nada para isso acontecer.
Os filhos de Oxóssi gostam de solidão, isolam-se, ficam à espreita, observam atentamente tudo que se passa à sua volta. Curiosos, percebem as coisas com rapidez, são introvertidos e discretos, vaidosos, distraídos e prestativos, comportamento típico de um caçador, provedor do seu povo.

domingo, 18 de outubro de 2009

Convocatória da Plenária de Mobilização da I Caminhada Nacional pela Vida e Liberdade Religiosa

Convidamos à tod@s religios@s de Matriz Africana, de Umbanda e Candomblé, para a plenária de mobilização da I Caminhada Nacional Pela Vida e Liberdade Religiosa

Data: 19/10/2009
Horário: 17 h
Local: Rua Drumond, 65 - Olaria - Rio de Janeiro - RJ

Conforme carta de Salvador, a caminhada nacional foi deliberada na plenária de Salvador de 2008, formalizada por este documento pelas entidades, dela signatárias.

A programação esta prevista para acontecer de 18 à 22 novembro de 2009, em Salvador e contempla a o preparo da cidade para receber a caminhada com a cerimônia dos ojas(amarra àrvores da cidade com ojas), dois dias de seminário e a caminhada.

A caminhada deste ano tem como meta preparar a carta da caminhada nacional a ser levada, na programação da caminhada de 2010, rumo à Brasília, um documento reivindicatório do povo de santo à/ao proxim@ chefe da nação brasileira.

Nosso cordial Axé!

Pela Comissão Organizadora Nacional
Dolores Lima
CETRAB

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

I Seminário de Desenvolvimento Sustentável de Povos de Terreiro

Povos de Terreiro querem políticas públicas específicas para o segmento

Povos de Terreiros de toda a Bahia estarão reunidos, de 15 a 17 de outubro, em Salvador para discutir e elaborar as políticas públicas de que precisam. Este é um dos objetivos do primeiro Seminário Estadual de Cidadania dos Povos de Terreiro, que acontece no Hotel Sol Bahia, em Patamares. A iniciativa é da Secretaria de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza (Sedes), através do Programa de Desenvolvimento Social de Povos e Comunidades Tradicionais (PPCT), protagonista no conjunto de ações reparatórias dos segmentos tradicionais, negligenciados durante toda a história do Brasil. A expectativa é de que pelo menos 60 lideranças religiosas participem do evento.


Reparação - A realização do seminário para povos de terreiro é o primeiro de uma série voltada aos povos e comunidades tradicionais da Bahia. O princípio da ação é de que o poder público ainda acumula enorme dívida com os segmentos. "Precisamos orientar e sensibilizar os gestores e servidores públicos sobre os direitos desses povos exercerem suas peculiaridades. Nada melhor que contar com eles mesmos para a construção desse reconhecimento institucional em política de Estado", disse a superintendente de Assistência Alimentar da Sedes, Ana Torquato.

A coordenadora do Programa de Desenvolvimento Social de Povos e Comunidades Tradicionais da Sedes, Ana Placidino, explicou o objetivo dos seminários é cumprir três eixos: o fortalecimento institucional, tanto do governo estadual, como das redes de povos e comunidades tradicionais na Bahia, o acesso desses segmentos às políticas públicas e aos programas, ações e projetos do governo de forma ampla e a inclusão produtiva de, no mínimo, 75% dos povos e comunidades tradicionais.

Empoderamento - Muitos assuntos serão discutidos durante o seminário de povos de terreiro, como a intolerância religiosa, o racismo e outras formas de preconceito institucionalizadas. "O que nós temos conseguido é através de muita luta e garra. As pessoas de meu tempo sabem o quanto sofremos de humilhação. Tínhamos de esconder que éramos do Candomblé para não sermos perseguidos", disse a Mameto kya Nkisi ("Mãe de Santo", em Batu) Zulmira França, se referindo ao preconceito oficializado, que promoveu uma severa criminalização e perseguição policial nas três primeiras décadas do século XX contra os terreiros de candomblé. Segundo estudiosos da história do Povo de Santo na Bahia, essa foi uma determinação institucional declarada de eliminar da cultura baiana qualquer marca ou manifestação de africanidade. "Apesar de ainda existir manifestações de intolerância contra a nossa religião, hoje podemos dizer o que somos", considerou.

Assim como Zulmira França, outras lideranças e seguidores religiosos estarão no evento para traçar políticas que combatam a invisibilidade e a intolerância contra os povos de terreiro e que estas marcas não façam mais parte da história da Bahia.

O Programa - O Programa Povos e Comunidades Tradicionais tem o objetivo de garantir a inclusão social das comunidades tradicionais a partir do incentivo à produção de alimentos e geração de renda. Um dos principais parceiros é o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). São contemplados quilombolas, indígenas, população ribeirinha e de fundos e fechos de pastos, que se encontram em evidente situação de exclusão social e precariedade de vida. Esse quadro está expresso nos indicadores nutricionais dessas populações e na falta de acesso aos direitos sociais básicos, como saúde, educação, assistência social e alimentação.

Religiosos discutem a criação do Fórum de Religiões de Matriz Africana

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publicado no Jornal A Tarde 13/10.

sábado, 10 de outubro de 2009

Doutora Mãe Stella de Oxóssi

Mãe Stella ao lado do reitor da Uneb, Lourisvaldo Valentim na cerimônia em que recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Uneb. Foto: Claudionor  Junior | AG.  A TARDE

Uma cerimônia belíssima e emocionante marcou a cerimônia de concessão do título de Doutor Honoris Causa a Mãe Stella de Oxóssi na manhã de hoje. Foi a primeira vez que a Uneb concedeu a sua honraria máxima a uma mulher.

A festa foi marcada por homenagens a Oxóssi, orixá a quem Mãe Stella é consagrada. A canção que embalou a sua recepeção para a cerimônia é uma das usadas para saudar a divindade.

No lugar da beca preta que, geralmente, é usada pelos homenageados em cerimônias deste tipo, Mãe Stella vestiu uma em tom azul-turquesa, assim como a borla (espécie de chapéu) e a pelerine, acessório que lembra um manto. O azul turquesa é a cor de Oxóssi nos candomblés ketu, tradição seguida pelo Afonjá.

Nos discursos de saudação a Mãe Stella esteve sempre a lembrança da sua luta pela preservação dos elementos da sua religiosidade e em defesa de outros aspectos da cultura afro-brasileira, além de ações como a instalação da escola Eugênia Anna dos Santos, referência no ensino de Historia da África e Cultura Afro-Brasileira. A escola funciona no espaço do Opô Afonjá.

Esta homenagem é a primeira de muitas pela celebração dos 70 anos de iniciação religiosa de Mãe Stella.

Fonte: Mundo Afro

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Vamos caminhar juntos?


Depoimento de Mãe Stella de Oxóssi
Lançamento da 1ª Caminhada Nacional do Povo de Santo


Caminhar significa dar um passo além do outro. Mover-se de um ponto e, seguindo em frente, apontar outra direção, outro rumo, outro caminho. Quando caminhamos juntos fortalecemos a lógica da solidariedade, afirmamos o desejo de estar com outra pessoa ao lado e partimos para construir novas trilhas, novas estradas, outros caminhos...
Há quatro anos caminhamos juntos.
Há quatro anos caminhamos pela vida e pela liberdade religiosa. Há quatro anos caminhamos com o CEN, com a Bahia, com as casas de Axé.
Agora, em 2009, caminharemos juntos com novos parceiros. Parceiros do país inteiro que, junto conosco, transformaram nosso caminhar na I Caminhada Nacional Pela Vida e Liberdade Religiosa. Caminharemos juntos com o Movimento Nacional Bantu (Monabantu), o Centro de Tradições Afro-Brasileiras (Cetrab), o Instituto Nacional da Tradição Afro-Brasileira (Intecab)..AFA, NAFRO, Fórum de Religiosos do Estado da Bahia e do Rio Grande do Sul.
Para nos dar força e Axé, nossos mais velhos e nossas mais velhas estarão conosco.

E assim caminharemos contra o desrespeito que gera intolerância religiosa. Assim daremos os primeiros passos para dizer que somos de Axé e temos orgulho disso. Assim avançaremos no sentido de construir a unidade entre nós e, mais que tudo, afirmaremos nossa identidade, reforçaremos nossa auto-estima e nos fortaleceremos de fé para seguir adiante construindo um país democrático onde ninguém precise se envergonhar em afirmar sua própria religiosidade.


Dia 22 de novembro temos um encontro marcado!

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Faixas brancas divulgam ação contra intolerância religiosa

Redação CORREIO
Foto: Reprodução
Diversas faixas brancas foram espalhadas nesta sexta-feira (9) em vários pontos de Salvador, como na Avenida Paralela, orla, Lagoa do Abaeté e Dique do Tororó. A ação contra a intolerância religiosa foi chamada de Alvorada dos Ojás.


A ação faz parte das atividades de Lançamento da 5ª Caminhada Pela Vida e Liberdade Religiosa, que vai ser realizada neste fim de semana na capital. A Alvorada foi lançada oficialmente na sede da Associação das Baianas de Mingau e Acarajé (Abam), que fica na Praça da Cruz Caída, no Centro Histórico de Salvador.

Fonte: Correio da Bahia

Salvador sedia preparativos para Caminhada


De hoje até sábado, Salvador é a sede do lançamento da I Caminhada Nacional pela Vida e Liberdade Religosa, que será realizada nos dias 21 e 22 de novembro.

A caminhada vem sendo realizada desde 2005, mas pela primeira vez ganhou uma dimensão nacional. Estes três dias de encontro são para o acerto dos detalhes finais para a organização do evento.

Um dos temas, dentre os que serão debatidos neste período preparatório, é a campanha Quem é de Axé diz que é !, que pretende estimular a afirmação como religiosos de matrizes africanas nas perguntas do Censo 2010. Os números da profissão religiosa com estas características costumam ficar subdimensionados, pois o histórico de repressão ainda faz com que muitos religiosos de candomblé e umbanda não declarem sua real opção religiosa.

Hoje, a atividade é direcionada aos religiosos, com a realização de um ritual para Iroko e instalação de ojás ( panos brancos usados para demarcar território sagrado ) em árvores espalhadas por vários bairros de salvador.

Amanhã, durante a manhã e a tarde, ocorrerão os debates, abertos à participação de quem se interessar, a partir das 9 horas, no Memorial das Baianas, Centro Histórico de Salvador. No sábado, as atividades serão apenas pela manhã, a partir das 9 horas.

A caminhada está sendo organizada pelo Coletivo de Entidades Negras (CEN), apoiado por outras instituições como a Federação Nacional do Culto Afro-Brasileiro (Fenacab), Núcleo Afro da Polícia Militar (Nafro), dentre outras.


Fonte: Mundo Afro