quarta-feira, 14 de outubro de 2009

I Seminário de Desenvolvimento Sustentável de Povos de Terreiro

Povos de Terreiro querem políticas públicas específicas para o segmento

Povos de Terreiros de toda a Bahia estarão reunidos, de 15 a 17 de outubro, em Salvador para discutir e elaborar as políticas públicas de que precisam. Este é um dos objetivos do primeiro Seminário Estadual de Cidadania dos Povos de Terreiro, que acontece no Hotel Sol Bahia, em Patamares. A iniciativa é da Secretaria de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza (Sedes), através do Programa de Desenvolvimento Social de Povos e Comunidades Tradicionais (PPCT), protagonista no conjunto de ações reparatórias dos segmentos tradicionais, negligenciados durante toda a história do Brasil. A expectativa é de que pelo menos 60 lideranças religiosas participem do evento.


Reparação - A realização do seminário para povos de terreiro é o primeiro de uma série voltada aos povos e comunidades tradicionais da Bahia. O princípio da ação é de que o poder público ainda acumula enorme dívida com os segmentos. "Precisamos orientar e sensibilizar os gestores e servidores públicos sobre os direitos desses povos exercerem suas peculiaridades. Nada melhor que contar com eles mesmos para a construção desse reconhecimento institucional em política de Estado", disse a superintendente de Assistência Alimentar da Sedes, Ana Torquato.

A coordenadora do Programa de Desenvolvimento Social de Povos e Comunidades Tradicionais da Sedes, Ana Placidino, explicou o objetivo dos seminários é cumprir três eixos: o fortalecimento institucional, tanto do governo estadual, como das redes de povos e comunidades tradicionais na Bahia, o acesso desses segmentos às políticas públicas e aos programas, ações e projetos do governo de forma ampla e a inclusão produtiva de, no mínimo, 75% dos povos e comunidades tradicionais.

Empoderamento - Muitos assuntos serão discutidos durante o seminário de povos de terreiro, como a intolerância religiosa, o racismo e outras formas de preconceito institucionalizadas. "O que nós temos conseguido é através de muita luta e garra. As pessoas de meu tempo sabem o quanto sofremos de humilhação. Tínhamos de esconder que éramos do Candomblé para não sermos perseguidos", disse a Mameto kya Nkisi ("Mãe de Santo", em Batu) Zulmira França, se referindo ao preconceito oficializado, que promoveu uma severa criminalização e perseguição policial nas três primeiras décadas do século XX contra os terreiros de candomblé. Segundo estudiosos da história do Povo de Santo na Bahia, essa foi uma determinação institucional declarada de eliminar da cultura baiana qualquer marca ou manifestação de africanidade. "Apesar de ainda existir manifestações de intolerância contra a nossa religião, hoje podemos dizer o que somos", considerou.

Assim como Zulmira França, outras lideranças e seguidores religiosos estarão no evento para traçar políticas que combatam a invisibilidade e a intolerância contra os povos de terreiro e que estas marcas não façam mais parte da história da Bahia.

O Programa - O Programa Povos e Comunidades Tradicionais tem o objetivo de garantir a inclusão social das comunidades tradicionais a partir do incentivo à produção de alimentos e geração de renda. Um dos principais parceiros é o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). São contemplados quilombolas, indígenas, população ribeirinha e de fundos e fechos de pastos, que se encontram em evidente situação de exclusão social e precariedade de vida. Esse quadro está expresso nos indicadores nutricionais dessas populações e na falta de acesso aos direitos sociais básicos, como saúde, educação, assistência social e alimentação.

Religiosos discutem a criação do Fórum de Religiões de Matriz Africana

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publicado no Jornal A Tarde 13/10.

sábado, 10 de outubro de 2009

Doutora Mãe Stella de Oxóssi

Mãe Stella ao lado do reitor da Uneb, Lourisvaldo Valentim na cerimônia em que recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Uneb. Foto: Claudionor  Junior | AG.  A TARDE

Uma cerimônia belíssima e emocionante marcou a cerimônia de concessão do título de Doutor Honoris Causa a Mãe Stella de Oxóssi na manhã de hoje. Foi a primeira vez que a Uneb concedeu a sua honraria máxima a uma mulher.

A festa foi marcada por homenagens a Oxóssi, orixá a quem Mãe Stella é consagrada. A canção que embalou a sua recepeção para a cerimônia é uma das usadas para saudar a divindade.

No lugar da beca preta que, geralmente, é usada pelos homenageados em cerimônias deste tipo, Mãe Stella vestiu uma em tom azul-turquesa, assim como a borla (espécie de chapéu) e a pelerine, acessório que lembra um manto. O azul turquesa é a cor de Oxóssi nos candomblés ketu, tradição seguida pelo Afonjá.

Nos discursos de saudação a Mãe Stella esteve sempre a lembrança da sua luta pela preservação dos elementos da sua religiosidade e em defesa de outros aspectos da cultura afro-brasileira, além de ações como a instalação da escola Eugênia Anna dos Santos, referência no ensino de Historia da África e Cultura Afro-Brasileira. A escola funciona no espaço do Opô Afonjá.

Esta homenagem é a primeira de muitas pela celebração dos 70 anos de iniciação religiosa de Mãe Stella.

Fonte: Mundo Afro

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Vamos caminhar juntos?


Depoimento de Mãe Stella de Oxóssi
Lançamento da 1ª Caminhada Nacional do Povo de Santo


Caminhar significa dar um passo além do outro. Mover-se de um ponto e, seguindo em frente, apontar outra direção, outro rumo, outro caminho. Quando caminhamos juntos fortalecemos a lógica da solidariedade, afirmamos o desejo de estar com outra pessoa ao lado e partimos para construir novas trilhas, novas estradas, outros caminhos...
Há quatro anos caminhamos juntos.
Há quatro anos caminhamos pela vida e pela liberdade religiosa. Há quatro anos caminhamos com o CEN, com a Bahia, com as casas de Axé.
Agora, em 2009, caminharemos juntos com novos parceiros. Parceiros do país inteiro que, junto conosco, transformaram nosso caminhar na I Caminhada Nacional Pela Vida e Liberdade Religiosa. Caminharemos juntos com o Movimento Nacional Bantu (Monabantu), o Centro de Tradições Afro-Brasileiras (Cetrab), o Instituto Nacional da Tradição Afro-Brasileira (Intecab)..AFA, NAFRO, Fórum de Religiosos do Estado da Bahia e do Rio Grande do Sul.
Para nos dar força e Axé, nossos mais velhos e nossas mais velhas estarão conosco.

E assim caminharemos contra o desrespeito que gera intolerância religiosa. Assim daremos os primeiros passos para dizer que somos de Axé e temos orgulho disso. Assim avançaremos no sentido de construir a unidade entre nós e, mais que tudo, afirmaremos nossa identidade, reforçaremos nossa auto-estima e nos fortaleceremos de fé para seguir adiante construindo um país democrático onde ninguém precise se envergonhar em afirmar sua própria religiosidade.


Dia 22 de novembro temos um encontro marcado!

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Faixas brancas divulgam ação contra intolerância religiosa

Redação CORREIO
Foto: Reprodução
Diversas faixas brancas foram espalhadas nesta sexta-feira (9) em vários pontos de Salvador, como na Avenida Paralela, orla, Lagoa do Abaeté e Dique do Tororó. A ação contra a intolerância religiosa foi chamada de Alvorada dos Ojás.


A ação faz parte das atividades de Lançamento da 5ª Caminhada Pela Vida e Liberdade Religiosa, que vai ser realizada neste fim de semana na capital. A Alvorada foi lançada oficialmente na sede da Associação das Baianas de Mingau e Acarajé (Abam), que fica na Praça da Cruz Caída, no Centro Histórico de Salvador.

Fonte: Correio da Bahia

Salvador sedia preparativos para Caminhada


De hoje até sábado, Salvador é a sede do lançamento da I Caminhada Nacional pela Vida e Liberdade Religosa, que será realizada nos dias 21 e 22 de novembro.

A caminhada vem sendo realizada desde 2005, mas pela primeira vez ganhou uma dimensão nacional. Estes três dias de encontro são para o acerto dos detalhes finais para a organização do evento.

Um dos temas, dentre os que serão debatidos neste período preparatório, é a campanha Quem é de Axé diz que é !, que pretende estimular a afirmação como religiosos de matrizes africanas nas perguntas do Censo 2010. Os números da profissão religiosa com estas características costumam ficar subdimensionados, pois o histórico de repressão ainda faz com que muitos religiosos de candomblé e umbanda não declarem sua real opção religiosa.

Hoje, a atividade é direcionada aos religiosos, com a realização de um ritual para Iroko e instalação de ojás ( panos brancos usados para demarcar território sagrado ) em árvores espalhadas por vários bairros de salvador.

Amanhã, durante a manhã e a tarde, ocorrerão os debates, abertos à participação de quem se interessar, a partir das 9 horas, no Memorial das Baianas, Centro Histórico de Salvador. No sábado, as atividades serão apenas pela manhã, a partir das 9 horas.

A caminhada está sendo organizada pelo Coletivo de Entidades Negras (CEN), apoiado por outras instituições como a Federação Nacional do Culto Afro-Brasileiro (Fenacab), Núcleo Afro da Polícia Militar (Nafro), dentre outras.


Fonte: Mundo Afro

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Junte-se a nós e faça a diferença!



Data de Lançamento: 09/10/2009

Dia 09/10/2009, às 09:00hs, temos um encontro marcado no Memorial das Baianas (Salvador/BA).

Até lá!

Sua participação é fundamental!


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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

domingo, 19 de julho de 2009

Exu contra ataca

Cada vez que peixes aparecem boiando no bicentenário Dique do Tororó, em Salvador, uma lenda urbana volta à tona: a de que o responsável pela mortandade de tilápias e carpas, quase todo verão, não é a poluição, mas as oito belas esculturas de entidades africanas que enfeitam o local, considerado pelos seguidores do candomblé uma das moradas de Oxum, orixá da água doce, fontes e lagos. Concebidas em 2000 pelo escultor Tatti Moreno, as oito figuras de orixás são emblemáticas da disputa entre os neopentecostais e os seguidores da religião afro-baiana na capital, que reagem com uma campanha nacional contra a intolerância religiosa.

A ideia não é partir para o confronto, embora nos últimos anos tenham sido frequentes as agressões de evangélicos, sobretudo fiéis da Igreja Universal e da Evangelho Quadrangular, aos adeptos das religiões de matrizes africanas, nomenclatura adotada pelas gentes da umbanda e do candomblé. A principal meta é mesmo corrigir as estatísticas, a partir do Censo 2010 do IBGE. Com o slogan “Quem é de axé diz que é”, pretende-se conscientizar as pessoas da importância de assumirem o credo em religião afro-brasileira. No último Censo, em 2000, só 0,5% dos soteropolitanos afirmaram ser praticantes da umbanda e do candomblé, ante 18,1% que se declararam evangélicos.

“Essa postura, que se justificava quando o candomblé era perseguido pela polícia, não é mais necessária. Estatisticamente, dá a impressão de que o candomblé está desaparecendo, o que é um engano”, afirma o vereador Gilmar Santiago. Uma das evidências disso seria o aumento do número de terreiros. Nas duas últimas décadas, de acordo com o mapeamento feito pela prefeitura, apareceram 677 novos na capital baiana.

Em compensação, Salvador viu surgir em 2001 um dos maiores templos da Igreja Universal no País, com capacidade para 9 mil fiéis. As baianas do acarajé, figuras-símbolo do candomblé, hoje encontram rivais nas vendedoras de “bolinho de Jesus”, que se recusam a associar o quitute a uma oferenda aos orixás.

Historicamente, o preconceito em relação aos seguidores do candomblé não pode ser atribuído aos protestantes, mas aos primeiros colonizadores europeus, ainda em território africano, segundo estudiosos da religião. Com o tempo, o estigma de que a crença se baseia em feitiços, despachos e magia negra espalhou-se. Mas é inegável que a convivência entre evangélicos, principalmente neopentecostais, e seguidores do candomblé se deteriora nos últimos anos, a partir do lançamento, pelo bispo Edir Macedo, do livro Orixás, Caboclos e Guias: Deuses ou Demônios?, que fortaleceu o preconceito e renovou a difusão de mitos sobre as religiões afro-brasileiras.

Na obra, com mais de 3 milhões de exemplares vendidos, retirada das livrarias pela Justiça, o fundador da Igreja Universal acusa os orixás, assim como os espíritos do kardecismo, de serem demônios disfarçados. (Procurada, a direção da Igreja Universal não respondeu às perguntas da reportagem.) Em geral, os bispos neopentecostais se aproveitam da associação clássica entre a figura de Exu e Satanás. Por conta disso, outra iniciativa da campanha movida pelas entidades do movimento negro vai ser a distribuição de uma cartilha como introdução às religiões de matrizes africanas a praticantes de outros credos. Exu será o principal orixá a ser “explicado”.

Em Salvador, na noite da terça-feira 12 de maio, a reportagem de CartaCapital está à mesa com cerca de vinte pais e mães de santo que participam do Fórum Permanente de Religiões de Matrizes Africanas, no terreiro de Oxumarê, do século XIX. Pergunto se esse preconceito não é gerado também pelo fato de o candomblé, em virtude das perseguições policiais que tiveram seu auge na década de 1920, ser uma religião fechada, quase secreta. E a mesa, já bastante desconfiada com a presença da repórter, entra em polvorosa. “Fechada é a Maçonaria”, diz um. “Muito aberta não é, não”, rebate outro. “O terreiro fica aberto o dia todo, não é que nem igreja. Só não entra quem não quer”, defende Marcos Rezende, do CEN, que é também ogã (espécie de administrador) do terreiro anfitrião. “O que não fazemos é proselitismo.”

Em Salvador, são frequentes as notícias de invasões de terreiros por evangélicos com bíblias em punho e agressões verbais aos que andam paramentados com roupa branca, torços (turbantes) e colares de contas coloridas. As queixas são encaminhadas ao promotor Almiro Sena, coordenador do Grupo Especial de Combate à Discriminação do Ministério Público Estadual.

“As pessoas identificadas com o candomblé por suas vestimentas ainda hoje têm dificuldade de acesso a edifícios públicos. São obrigadas, por exemplo, a tirar os torços da cabeça”, relata o promotor Sena, que vê, no entanto, uma diminuição da intolerância nos últimos anos. Na mesa do terreiro de Oxumarê, o Táta (pai de santo) Ricardo Tavares, do terreiro de Lembá, em Camaçari, discorda.

Branco, 1,84 metro de altura, Tavares chama a atenção com suas vestes africanas. Ele conta que seu terreiro já foi invadido por evangélicos, que lhe cuspiram na cara durante o fórum da cidade. “Não sou omisso, dou queixa”, diz o pai de santo, que promove em Camaçari uma campanha de combate à intolerância religiosa e ao racismo, sob o lema “Sou do candomblé. Respeitar é preciso. Gostar, se quiser”.

Lindinalva de Paula, do terreiro Ilê Axé Omin Ewá, no bairro de Praia Grande, conta que os ataques feitos em programas de televisão e por bispos nos púlpitos de fato diminuíram, mas as ações isoladas permanecem. “Numa sexta-feira em Salvador, em um ônibus lotado, há evangélicos que preferem ficar de pé a se sentar ao lado de uma pessoa de branco, porque sabe que nos vestimos assim às sextas”, conta.

O prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro, é evangélico, da religião batista. E há quem o acuse de, por isso, favorecer os neopentecostais no projeto de lei, que deve ser votado pela Câmara Municipal na próxima semana, regularizando a situação fundiária dos terreiros. A maioria dos locais onde se praticam os rituais do candomblé até hoje não possui título de propriedade, porque, ao contrário da Igreja Católica, as religiões afro-brasileiras não herdaram terras e ocuparam os espaços possíveis: encostas, vias e matas, necessárias à liturgia. Pais e mães de santo também receberam terras “de boca”, sem documentos.

A possibilidade de regularização deixou os terreiros em festa, mas seus líderes reclamam que, no projeto, existem mais exigências para as religiões de matrizes africanas do que para as outras. Originalmente voltado só para os terreiros, o projeto da prefeitura acabou ampliado para todos os templos religiosos de Salvador.

“Não é verdade, as exigências são as mesmas. Tampouco é verdade que o prefeito favoreça os evangélicos, vejo-o muito respeitoso em relação ao candomblé”, diz o secretário da Reparação de Salvador, Ailton Ferreira, que também pertence ao terreiro de Oxumarê. Ele explica que a lei surgiu como promessa do prefeito João Henrique para compensar a demolição do terreiro Oyá Unipó Neto, na avenida Jorge Amado, em fevereiro do ano passado, por “um equívoco” da prefeitura. E que as críticas acontecem porque, como a regularização dos terreiros era uma reivindicação do candomblé e foi estendida aos outros templos, causou um “ciúme natural”.

Em setembro, os tambores tocarão nos terreiros para o primeiro passo da campanha pelo respeito e pelo reconhecimento do candomblé como religião. Acontecerá em Salvador o I Seminário Nacional sobre Intolerância Religiosa, promovido pelo CEN com apoio do Ministério da Cultura. Todos sabem, porém, que não será uma tarefa fácil mudar 500 anos de preconceito em uma semana. Nem modificar o fato de que, até aqui, o discurso neopentecostal está vencendo a parada.

As religiões neopentecostais roubaram fiéis ao candomblé. “Não oferecemos algumas falas que são ação desse mundo, a bênção relacionada à melhoria de vida”, argumenta Marcos Rezende. “Sem dúvida, as pessoas das classes C, D e E são atraídas por essa teologia da prosperidade. Além disso, o neopentecostalismo utiliza a mídia para atrair novos adeptos, espaço que o candomblé não possui”, avalia o antropólogo Sérgio Ferretti.

Em terra de todos os santos, um político baiano, seguidor do candomblé, pede sigilo para apresentar críticas a seu povo. “Tem radicalismo de ambos os lados”, diz. “Em vez de desconfiar tanto dos evangélicos, devíamos eleger gente do candomblé. Eles têm estratégias, nós também precisamos ter, transcender para o plano político”, propõe. Difícil vai ser trocar os confortáveis abadás de algodão pelo terno e gravata.